O Terceiro Império Romano

 

O terceiro Império Romano ou

A evolução da Pax Romana ou

A evolução da Ordem Mundial

 

 

            A afirmação de Ilber Ortayli, trazida por Mert (@merthimself) no X em 12 de outubro de 2024, fez-me pensar uma visão da Ordem Mundial. Se, no passado, já havíamos descrito uma evolução da Ordem Mundial a partir da Pax Romana, ensinada por Guido Soares, hoje Ortayli abre nova abordagem no meu pensar.

            Mert nos trouxe que: “Ilber Ortayli notou que o Império Otomano só pode ser entendido como um “Terceiro Império Romano”, onde a inclusão no Estado e na Sociedade era determinada por adotar a ideologia do Estado ao invés da origem étnica” (tradução nossa)[1].

            Pensando, então, em três fases do Império Romano podemos imaginar aquele primeiro Império que se estendeu por todo o mundo então conhecido pelos povos ocidentais (Europa, Ásia Menor, Oriente Médio, Norte da África), em princípio pagão, aplicador do Direito (Ius Civilis e Ius Gentium), falante do latim. Em seguida, com a queda do Império Romano do Ocidente, sobrevive um Império Romano no Oriente próximo, conhecido também como Império Bizantino, cristão, aplicador do direito da terra feudal e falante, primordialmente, do grego. Em sua evolução, o terceiro Império Romano (Romano apenas na denominação didática aqui usada), ante a queda de Constantinopla, seria aquele Império Otomano, em princípio muçulmano (mas não exclusivo, pois congregava toda a gente da linha de rota da seda com seus interesses comerciais, mercantilistas, capitalistas e socialistas) que constituíam uma colcha de retalhos de nação em que a questão étnica[2] é colocada de lado, adotando a supremacia da ideologia do Estado.

            Se o primeiro Império conviveu num mundo pela aplicação de sua Pax Romana, o terceiro Império espraia à civilização ocidental essa ideologia, derrubando o universo cristão ocidental numa nova ética totalmente avessa ao que se tinha até então.

            A questão, sem dúvida, merece mais estudos. Entretanto parece ser um caminho para entender o novo Ocidente que se cria no século XXI com agendas mundiais impositivas e recivilizatórias[3].



[1] Ilber Ortayli notes that the Ottoman Empire can only be understood as the “Third Roman Empire”, where inclusion in the state and society was determined by adopting the state’s ideology rather than ethnic origin.

[2] A nascente nação turca congregava diferentes povos (armênios, tártaros, curdos, turcos, otomanos e orientais no geral, com diferentes credos desde as diferentes facções do cristianismo, o islamismo, o hinduísmo, budismo, confucionismo etc.). Eis por que grupos tão diferentes estão congregados, o movimento jovens turcos incluía intelectuais armênios cristão, os fundadores da nação Turca, como Atatürk, adotaram uma Constituição de características alienígena (Suíça) para aplicar em um universo tão distinto apenas para soar modernidade; as escritas tão diversas (grega, árabe, armênia, georgiana etc.) são substituídas pela grafia capaz de verter o árabe para letras latinas, valendo-se de muitos dísticos. E tantas outras coisas.

[3] Aproveitamos para incluir jargão adotado pela imprensa e intelectuais engajados nas mudanças.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Museu do Ipiranga

João Taborda: Portuguese Salon

Eclipse: Einstein e o GPS