1984 de George Orwell
1984 de George Orwell,
por Raquel Vaz Pinto (1)
Em 5 de junho de 2024, o Âmbito Cultural, do El Corte Inglês, em Lisboa promoveu, na segunda parte do Ciclo Conhecer os Clássicos, a conferência proferida por Raquel Vaz Pinto que tratou da obra 1984, de George Orwell.
Ementa publicada na Magazine Cultural nº20, de abril/julho 2024: "Porque é um clássico, um clássico? Porque continua a ser lido, seja 10, 100 ou 1000 anos depois de ter sido escrito? Um clássico possui certas características que o tornam universal, transversal, atual; interpela o leitor, provoca-o, fá-lo questionar-se, conforta-o. Um clássico é um mundo num livro". Depois da introdução que assinou para a nova edição da coleção Penguin Clássicos, Raquel Vaz Pinto lança novas luzes sobre 1984, de George Orwell.
Da conferência, apresentamos nossos apontamentos: Os objetivos da conferencista era discorrer sobre três questões: o que é um clássico? Por que a vida de George Orwell é especial? Faz sentido ler 1984 em 2024?
Muita informação está disponível no site da Fundação George Orwell (www.orwellfoundation.com).
Orwell é um combatente pela liberdade. Sua escrita é matemática, não há nada sobejando em sua obra. Nasceu em 1905, na Birmânia, quando ainda integrava o Império Britânico, e faleceu em 1950, em Londres.
Os clássicos sempre são atuais; podemos neles perceber o nosso mundo de forma intemporal.
A vida do autor foi curta, mas intensa. Viu o Império Britânico declinar, a dureza do trabalho, as guerras mundiais e o combate crucial aos totalitarismos. A partir de 1933, compreendendo o perigo názi, percebe-se dos totalitarismos. Compreende de forma particular o imperialismo civilizatório, em especial dos britânicos. Esteve na Guerra Civil Espanhola. Combateu pelo lado republicano, mas não comunista. Percebe o perigo do fascismo alemão e italiano. Surpreende-se com a URSS totalitária. Escreveu várias obras além do 1984, Homenagem à Catalunha, Animal Farm (A Revolução dos Bichos, título da edição brasileira e que em Portugal levou dois títulos diferentes: A Quinta dos Animais ou O triunfo dos Porcos).
O 1984 foi escrito, na Ilha de Jura, na Escócia, em 1948, pois sentiu que precisava se isolar para escrevê-lo. Publicou-o em 1949. Seu enredo é marcante e percebível nos anos que o seguiram. Temas tratados são compreendidos muito bem em 2024: as ditaduras digitais, os polos hegemônicos: EUA, Rússia e China; a linguagem que corrompe o pensamento; a Novalíngua, que cria um novo léxico: mortos são impessoas; a expressão da face pode constituir um crime facial; a inexistência da "comunidade internacional" (a conferencista frisou veemente essa inexistência). Além de deixar lições às referências dos atos de desconstrução da verdade e de manutenção do poder.
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(1) Raquel Vaz Pinto é investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa e professora associada convidada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da mesma Universidade. Autora de vários artigos e livros. Foi presidente da Associação Portuguesa de Ciência Política e consultora do Conselho de Administração da Fundação Caloustre Gulbenkian. Atualmente é analista de política internacional da SIC Notícias (TV portuguesa) e da TSF (emissora de radiodifusão portuguesa).
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