Resistência Timorense e o apoio brasileiro e internacional no final do século XX
RESISTÊNCIA TIMORENSE E O APOIO BRASILEIRO E INTERNACIONAL NO FINAL DO SÉCULO XX
Sérgio
Pereira Antunes[1]
Resumo – Este trabalho,
abordando aspectos da Resistência Timorense na última década do século XX, visa
identificar e apresentar algumas entidades e personalidades internacionais e
brasileiras que deram apoio à questão timorense na luta pela autodeterminação
do povo, pela independência e pela construção de um estado soberano. Tendo em
conta as três frentes de atuação da Resistência Timorense (Armada, Clandestina
e Diplomática), a presente análise dedica-se a identificar a atuação
internacional e, em especial, brasileira, que por meio de entidades, grupos e
indivíduos divulgavam a tragédia que ocorria em Timor-Leste sob a invasão
indonésia e mantinham a questão timorense sob discussão permanente nos meios de
sua influência, a exemplo da área acadêmica, diplomática e humanística. Em
princípio, nessa ação além-fronteiras timorenses, são identificadas: as
entidades acadêmicas capitaneadas pela Universidade de São Paulo e a Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo; entidades humanísticas ligadas, em
especial, à Igreja católica e à política nacional brasileira; e, ainda,
indivíduos que abraçavam a causa timorense, prestando-lhe voz, como
personalidades do mundo artístico, literário, acadêmico que se envolveram
pessoalmente na luta da autodeterminação do povo timorense. Além, é claro, de
organizações governamentais, a exemplo da Organização das Nações Unidas (ONU) e
suas agências e de organizações não-governamentais internacionais como a
Plataforma Internacional de Juristas para Timor-Leste.
Timor-Leste é um dos
mais jovens estados soberanos do planeta. Se hoje esse estado ostenta essa
condição e conta com status de independente e com autodeterminação de seu povo,
podendo figurar com conquistado privilégio no concerto das nações, é porque
enfrentou seus tiranos e construiu um país com o esforço incalculável de seu
povo e com o apoio internacional mediante um coeso movimento de resistência
secular.
Desde tempos remotos, a
ilha de Timor teve seu papel próprio no estágio histórico de cada fase da
globalização. Sem dúvida, foi na era das grandes navegações europeias que o
sândalo, à época seu principal produto, fazia de Timor um agente de importância
no grande mercado asiático e quiçá mundial fortemente dominado pela China e
intermediado, no caso, por Portugal. Nesse processo, a Ilha de Timor torna-se
uma colônia portuguesa e se vê um pouco mais tarde compartilhada com as
Companhias das Índias Orientais, sob a proteção da coroa holandesa, dividindo-a
em uma porção ocidental e outra oriental. A parcela oriental da ilha que, por
sua vez, contava com uma coesão tribal maior, continuou a ser administrada por
Portugal. A exploração comercial de seus produtos pela intermediação de grandes
potências internacionais, sem dúvida, provocava certa resistência timorense. Portanto
é de se concluir que desde tempos remotos existia uma resistência timorense. Entretanto,
este trabalho visa tratar de outra resistência que é mais recente embora tenha raízes
e origem nesses velhos tempos mercantilistas.
Timor-Leste por sua
história demonstrou estágios de resistência em nome da autodeterminação de seu
povo. No período pré-colonial, as diversas tribos nativas conjugavam fases de
denominação umas sobre outras, inclusive com certa divisão já premente entre o
seu território leste e oeste. Existia, portanto, uma resistência natural
indianista.
No
Timor português, a resistência do modo colonizado versus colonizador é patente,
vindo a passar por fase preocupante durante os tempos da ditadura salazarista.
Nesses tempos ditatoriais, a resistência timorense se denota até mesmo pelo fato
de a toponímia indígena conseguir sobrepor-se à imposição de nomenclaturas portuguesas
atribuída a suas vilas e elementos geográficos.
O mapa português de
Timor Colônia não pode ser implantado. Esse mapa mais parecia uma fantasia
sobre a geografia timorense. As vilas mantiveram seu nome local, inviabilizando
a denominação atribuída arbitrariamente: Baucau não adotou a toponímia Vila
Salazar assim como Aileu não se tornou Vila General Carmona, entre outros
exemplos.
Com a Revolução dos Cravos, que põe fim a
ditadura portuguesa, Timor-Leste conquista sua independência, mas, logo em
seguida, o país foi invadido pela Indonésia em 1975.
O Timor-Leste, sob
dominação indonésia, constrói a resistência que merece a presente análise. Essa
resistência é complexa. Ocorreu no âmbito interno e, também, internacional. Essa
resistência que atuou internacionalmente, por consequência, contou com apoio de
diferentes entidades por todo o mundo. É sobre essas entidades que se debruça
este trabalho.
No Timor-Leste
indonésio, as políticas públicas do novo invasor ilegal provocaram o
crescimento da resistência timorense. Além da invasão com a tomada da soberania
em 1975, o genocídio dos anos 1970, o cerco e aniquilamento de 1977-78, o
etnocídio dos anos 1980-90, com a destruição sistemática do patrimônio cultural
timorense; a insistência pelo uso do bahasa e a proibição da língua portuguesa;
os afluxos de colonos indonésios, em sua maioria mulçumana, provocavam a indonesianização
de Timor, agravando-se com a transmigração que, sob a desculpa de integração, provocava
a invasão de terras timorenses por indonésios, numa verdadeira ocupação militar
e militante. Tudo em detrimento ao universo cultural timorense.
Por toda a sua História,
Timor teve de enfrentar, com maior ou menor grau de resistência, diferentes
agentes micro ou macroeconômicos representados por chineses, portugueses,
holandeses, ingleses, japoneses, australianos e indonésios. Entretanto, no
final do Século XX, a resistência viu-se empenhada na autodeterminação como
forma de sobrevivência de seu povo e de sua cultura.
Oficialmente, a história
da resistência timorense está, resumidamente, bem reportada no preâmbulo da
Constituição da República Democrática do Timor Leste, de 22 de março de 2002:
Vejamos:
“A independência de Timor-Leste, proclamada
pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN) em 28 de
novembro de 1975, vê-se internacionalmente reconhecida a 20 de maio de 2002,
uma vez concretizada a libertação do povo timorense da colonização e da
ocupação ilegal da Pátria Maubere por potências estrangeiras.
A elaboração e a adoção da Constituição da
República Democrática de Timor-Leste culminam a secular resistência do povo
timorense, intensificada com a invasão de 7 de dezembro de 1975.
A luta travada contra o inimigo, inicialmente
sob a liderança da FRETILIN, deu lugar a formas mais abrangentes de
participação política, com a criação sucessiva do Conselho Nacional de
Resistência Maubere (CNRM), em 1987, e do Conselho Nacional de Resistência
Timorense (CNRT), em 1998.
A Resistência desdobrou-se em três frentes
A frente armada foi protagonizada pelas
gloriosas Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste (FALINTIL), cuja
gesta histórica cabe exaltar.
A ação da frente clandestina, astutamente
desencadeada em território hostil, envolveu o sacrifício de milhares de vidas
de mulheres e homens, em especial de jovens, que lutaram com abnegação em prol
da liberdade e independência.
A frente diplomática, conjugadamente
desenvolvida em todo o Mundo, permitiu abrir caminho para a libertação
definitiva.
Na sua vertente cultural e humana, a Igreja
Católica em Timor-Leste sempre soube assumir com dignidade o sofrimento de todo
o Povo, colocando-se ao seu lado na defesa dos seus mais elementares direitos.
...”
As ações indonésias,
transvestidas de políticas públicas, alcançavam seu desiderato de aniquilamento
da cultura e do povo timorense. A pancasila – o fundamento filosófico oficial
da Indonésia[2]
– que com cinco princípios básicos, desencadeava o fim da cultura secular
arraigada em Timor-Leste.
Internamente
era cada vez mais difícil o enfrentamento. Era a vez da atuação das três
frentes de resistência: a armada, a clandestina e a diplomática. Nesse âmbito
interno, a frente armada e a frente clandestina de resistência não mensuravam
esforços para o enfrentamento, mas sem dúvida era insuficiente e não alcançava
reconhecimento externo.
Assim, se a resistência
timorense interna estava cada vez mais amordaçada, cabia à frente diplomática,
como um movimento internacional, protagonizar e apoiar a libertação de um povo
e a criação efetiva de um país soberano e livre. Foi assim que, por todo o
Mundo, pequenos, mas numerosos, movimentos abriam espaço para discutir, ao
menos diplomaticamente, o que ocorria em Timor.
Na frente diplomática de
resistência, o Bispo Carlos Filipe Ximenes Belo e José Ramos-Horta eram os
porta-vozes do povo timorense a respeito do que ocorria em seu país. Aliaram aos
seus ideais, agentes estrangeiros importantes como Matthew Jardine e Noan
Chonsky – o orientador acadêmico de Ramos-Horta – que passaram a denunciar
criticamente o apoio dos Estados Unidos às ações indonésias.
O Bispo Ximenes Belo,
pela posição alcançada dentro da Igreja Católica, teve a possibilidade de
assessorar o Papa João Paulo e, consequentemente, pô-lo a par do que ocorria em
Timor-Leste.
A Igreja Católica teve
um papel percursor, eis que pelas mãos do Bispo Ximenes Belo, se concretizou em
12 de outubro de 1989 a viagem do Papa João Paulo II à Timor-Leste. A partir de
então, as tragédias diárias do povo timorense não mais podiam ficar alijadas
dos noticiários das redes internacionais de jornalismo.
Ramos-Horta, por sua
vez, como jornalista, “era adepto de uma
saída diplomática para a descolonização de Timor Leste, chefiando uma delegação
da FRETILIN no exterior” (SANT’ANNA, 1997, p. 146). Quando da invasão
indonésia, acabou como representante legítimo da Frente Revolucionária de
Timor-Leste Independente (FRETILIN) junto à Organização das Nações Unidas (ONU)
e pode, então, conduzir a resistência diplomática.
Em 1996, a Fundação
Nobel, por meio do comitê designado pelo parlamento norueguês, laureou Carlos
Filipe Ximenes Belo e José Ramos-Horta com o prêmio Nobel da Paz. “O inédito desse caso foi que o prêmio de
Oslo colocou na ordem do dia da agenda internacional a questão de Timor, que
era tida como “o conflito esquecido” pela mídia e pela burocracia diplomática
internacional” (SANT’ANNA, 1997, p. 140).
Desde 1991, a Plataforma
Internacional de Juristas por Timor-Leste, uma entidade acadêmica internacional,
criada por juristas de diversos países, punha em discussão permanente as
questões relativas à soberania de Timor-Leste (documento 6). Nas discussões
acadêmicas acerca dos direitos à autonomia de vários territórios, no pós-colonialismo,
davam fôlego aos pleitos do povo maubere. Em 1992, essa Plataforma realizou, em
Londres, a Conferência Indonesia’s
Occupation of East Timor, um importante congresso que repercutiu no mundo
acadêmico e angariou novos adeptos. Em 1995, publicou um importante trabalho
intitulado International Law and the
Question of East Timor, que apresentava uma série de ensaios de
internacionalistas renomados de diferentes partes do mundo. Em especial, no ano
de 1998, a Plataforma fez inserir nas disciplinas do curso de Direito
Internacional Público, no âmbito da Academia de Direito Internacional, na Haia,
Países Baixos, discussões acerca da invasão indonésia e da questão da
autodeterminação de Timor-Leste. Vários juristas brasileiros integraram essa
Plataforma a exemplo do subscritor deste trabalho, do atual Ministro do Supremo
Tribunal Federal, brasileiro, Gilmar Mendes, e o Ex-Ministro da Justiça
(1995-1997) e ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal (1997-2006), do Brasil, Nelson
Jobin (documento 5).
A ONU, no mesmo compasso
de discussão pós-colonial, anunciava, já em 1960, a lista de territórios
não-autônomos e deu alento à causa timorense por autodeterminação. Em seguida,
em diferentes fases da história, vamos ver o importante papel desempenhado pela
ONU na construção daquele novo país. Iniciando com a UNAMET a Missão das Nações
Unidas em Timor-Leste e a INTERFET – as Forças Internacionais para Timor-Leste
e, em seguida, com a UNTAET – Administração Transitória das Nações Unidas para
o Timor-Leste e a UNMISET – Missão da ONU de Apoio a Timor-Leste.
O apoio brasileiro à
causa timorense veio de diversas entidades, em especial acadêmicas e outras
ligadas à Igreja Católica, como Clamor por Timor, do Grupo Solidário
São Domingos, com atuação imensurável de Lilia do Amaral Azevedo e Frei
Xerri; o Centro de Estudos Ásia Pacífico; a Frente Parlamentar
Paulista, no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; o Grupo
USP por Timor Leste; a Igreja católica em geral e apoio estratégico da Casa
de Portugal, em São Paulo; e da Editora Martin Claret.
Em 1993, o Grupo
Solidário São Domingos que originariamente trabalhava com a Teologia da
Libertação, fazendo a tradução de artigos, teve contato com o timorense Estevão
Cabral, que visava apoio de grupos brasileiros para divulgação da tragédia que
ocorria em Timor. Criou-se então a entidade Clamor
por Timor que passou a divulgar a causa timorense, publicando artigos,
realizando exposições, atos públicos, campanhas com artistas brasileiros, além
de pressionar o governo brasileiro a tomar uma posição clara a respeito da
questão.
É com a interveniência
do Clamor por Timor que outros grupos
brasileiros se unem na missão proposta de divulgação da questão. Dele surge o
apoio de Lucélia Santos, da Editora Martin Claret, da Casa de Portugal, da
Livraria Portugal etc.
A Editora Martin Claret,
por iniciativa do grupo Clamor por Timor,
fez publicar em 1997 a obra Timor Leste:
este país quer ser livre sob organização de Sílvio Luís Sant’anna,
apresentando aos leitores brasileiros uma série de textos produzidos por
especialistas de todo o mundo, lidando com a causa timorense. A obra traz ainda
uma interessantíssima coletânea de poemas de escritores timorenses. O livro foi
lançado em um concorrido evento na maior livraria de São Paulo, (FNAC) à época,
e contou com a presença do Prêmio Nobel da Paz, Ramos-Horta, naquela tarde de
autógrafos.
A Casa de Portugal, por
sua vez, colaborou com a divulgação da causa timorense, oferecendo suas
dependências para os encontros e atos públicos a respeito.
Além de entidades
envolvidas, personalidades de escol marcaram a resistência timorense no final
do século XX.
A resistência timorense não
foi um ato de dedicação pessoal, exclusivo, de personalidades como Xanana
Gusmão (Kay Rala Xanana Gusmão, ou seja, José Alexandre Gusmão) (documento 4), José
Ramos-Horta e Bispo Ximenes Belo. A estes expoentes históricos é obrigatório
mencionar: Steve Cox, Matthew Jardine e do lado brasileiro: Betinho (Hebert de
Souza), Frei João Xerri, Lilia do Amaral Azevedo, Lucélia Santos, entre outros.
Steve Cox, fotógrafo
internacional, esteve presente e reportou com imagens impressionantes do Massacre de Santa Cruz. Testemunha
ocular da repressão indonésia sobre o povo timorense, suas fotos ganharam o
mundo.
“Steve Cox é um homem perigoso. O seu
trabalho representa uma ameaça, não apenas para aqueles que perpetraram o crime
em Timor-Leste, mas também para aqueles que, a uma distância considerável, são
cúmplices dos primeiros. ... ... ... As fotografias de Steve Cox rasgam os véus
de hipocrisia que têm ocultado a cumplicidade de diversos governos, tais como
os da Austrália e do Reino Unido.” (PILGER, 1995, p.7).
Lucélia Santos, a famosa
atriz, protagonista da série televisiva Escrava Isaura que arrebatou
corações por toda a Ásia, teve papel central nos diversos atos ocorridos em São
Paulo a favor da independência de Timor-Leste. Seu carisma arregimentava novos
adeptos até mesmo nos rotineiros atos de passagem do thais de pescoço em
pescoço por todos os componentes da mesa e da plateia. Tal ato se tornou um
símbolo de irmandade e adesão à causa timorense em São Paulo.
Frei João Xerri, que
recebeu da Câmara Municipal de São Paulo, o título de cidadão paulistano, em
razão de sua ação solidária (documento 1), e Lilia do Amaral Azevedo, na
comunicação das atividades de sua organização (documentos 2, 3 e 7) se
desdobraram em organizar encontros e manter sempre informados os adeptos do
movimento de resistência timorense sob o comando de Clamor por Timor.
Por outro ponto de
vista, o empenho pessoal dos premiados pelo Nobel da Paz teve o condão de
propagar a resistência timorense além-fronteiras.
Ximenes
Belo, por sua vez, angariava adeptos dentro da Igreja Católica. Não é por outra
razão que se tem a viagem emblemática do Papa à Timor e da mesma forma, é por este
canal de atuação que entidades oriundas ou sob influência daquela igreja vão se
engajar no movimento. O Grupo Solidário São Domingos, o Clamor por
Timor e, até mesmo, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo vão ter
sua atuação a partir desse núcleo católico.
Ramos-Horta,
por sua vez, no âmbito diplomático vai atuar na ONU e, por consequência,
influencia os órgãos vinculados como todos aqueles nascidos no bojo das Nações
Unidas assim como a Corte Internacional de Justiça de onde surgirá a Plataforma
de Juristas.
No
meio acadêmico, em especial, na Universidade de São Paulo (USP) e na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a influência vem pelo lado
humanístico da questão, a partir do núcleo católico, em especial, no Brasil,
agindo conjuntamente com o Grupo Solidário São Domingos e
especificamente o Clamor por Timor. Sob essa influência, a PUC-SP atua
pelo Centro de Estudos Ásia Pacífico. Na USP, o núcleo de estudos
correlatos a essa área geográfica abraça a causa sob a forma do Grupo USP
por Timor-Leste. A Plataforma de Juristas além da influência da ONU engrossou
suas fileiras com acadêmicos de todo o mundo com epicentro na Haia e em
Coimbra, onde a sua Universidade passa a hospedar o sítio daquela entidade.
Vê-se assim o
envolvimento de muitos agentes, por todo o mundo e no Brasil, capitaneados
inicialmente por ação-chave das personalidades agraciadas pelo Nobel. O movimento
seguiu engrossando fileiras com atuação da Igreja Católica, com a ONU e, com a
atuação portuguesa, que de alguma forma tinha responsabilidade por atuar e
amparar o povo irmão que abraçou a língua do colonizador em prol de sua
autodeterminação.
Feita a identificação de
alguns dos agentes da resistência internacional, conclui-se que estes estão
caracterizados por um viés acadêmico-diplomático (Ramos Horta/Portugal) e outro
católico (Ximenes Belo/Igreja).
Na virada do Milénio o
apoio brasileiro ao povo timorense não esmoreceu. Já decretada a soberania de
Timor-Leste, foi a vez de o brasileiro, Sérgio Viera de Melo capitanear a
missão de transição administrativa presidindo a UNTAET. Teve lugar também, em
janeiro de 2001, a primeira visita de um Presidente da República Brasileira (Fernando
Henrique Cardoso) às terras mauberes, acompanhado da Primeira-Dama (Ruth
Cardoso) e de importante comitiva de técnicos (SALOMON, 2001) do Programa Alfabetização
Solidária entre outros. Iniciando, então, a consolidação de várias missões de
cooperação técnica em especial para o ensino da língua portuguesa às escolas
primárias e às de adultos.
É
pena que a ação das entidades e personalidades brasileiras não mereceu menção apropriada
na exposição permanente do Museu da Resistência, instalado em Dili pela
Fundação Mário Soares.
Embora não apareça
exposta com destaque, no Museu da Resistência, a marca brasileira se faz ouvir
por diversos rincões de norte a sul de Timor-Leste, quando, nas comemorações de
aniversário, professores e alunos cantam o “Parabéns a você nesta data
querida, muitas felicidades e muitos anos de vida” ao invés do
internacional “Happy Birthday to you”, ou do “Hoje é dia de festa...”
ao modo português.
BIBLIOGRAFIA
COX, Steve e CAREY, Peter. Timor-Leste: gerações de resistência. Lisboa: Caminho, 1995.
INTERNATIONAL
PLATFORM OF JURISTS FOREAST TIMOR. International
Law and the Question of East Timor. Londres: Russel Press, 1992.
PILGER,
John. Prefácio. In COX, Steve e CAREY,
Peter. Timor-Leste: gerações
de resistência. Lisboa: Caminho, 1995.
SALOMON, Marta, FHC promete estudar
auxílio a Timor Leste. IN Folha de São Paulo, São Paulo, 23 de janeiro de 2001,
pág. A8.
SANT’ANNA, Sílvio L. Perfil biográfico de José Ramos-Horta. IN Timor Leste este país quer
ser livre. São Paulo: Martin Claret, 1997.
TIMOR-LESTE. Constituição da República Democrática do Timor-Leste. Dili: RDTL,
2014.
FONTES PRIMÁRIAS
1 – Convite da Câmara Municipal de São
Paulo para outorga do título de Cidadão Paulistano para Frei João Xerri, em 22
de março de 2002.
2 – Cartas do Clamor por Timor endereçada
aos amigos do grupo, subscrita por Lília Azevedo, em 15 de novembro de 1999, 15
de outubro de 1999, 01 de março de 1999.
3 – Carta do Clamor por Timor endereçada
ao vereador Ítalo Cardoso, em 25 de fevereiro de 1999.
4 – Carta do Comandante das FALINTIL, Kay
Rala Xanana Gusmão, de 7 de dezembro de 1998 endereçada aos Queridos irmãos
brasileiros.
5 –
List of members and addresses (updated until 9 Oct. 95) da International
Platform of Jurists for East Timor.
6 –
Trienal Report 1993-1994-1995 da International Platform of Jurists for East
Timor. Leiden,
July, 1996.
7 – Maços Clamor por Timor; Plataforma
de Juristas e Timor da coleção particular de arquivos da Fundação
AR, acessado em Itupeva (SP), de 15 a 17 de janeiro de 2020.
[1]
Pesquisador do Laboratório de Interlocuções com a Ásia, da Faculdade de
Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Doutor pela
mesma Faculdade com graduação em Economia, Direito e Letras.
santunes@alumni.usp.br
[2] 1) Crença num único Deus; 2) Sentido da humanidade justa e
civilizada; 3) Unidade da Indonésia; 4) Democracia guiada pela sabedoria
interior e emanada das deliberações entre os representantes do povo; e 5) Justiça
social para todo o povo Indonésio.
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