Como se vê Deus
Muitas
são as formas de o ser humano ver Deus e até a referir-se a Ele. A pragmática
linguística das mais variadas línguas tem exigido um certo respeito a Deus até
mesmo na escrita e na sua referência. Pela cultura judaica, não se pode
chamá-lo em vão e sequer chamá-lo. Vários subterfúgios são colocados e assim,
linguisticamente, surgem diferentes termos para se referir a Ele, nas diversas
línguas. É por isso que surge a palavra gosh, em inglês, por mero
exemplo. E por isso também que se grafa, como aqui fizemos, a sua referência em
inicial maiúscula e até mesmo pelo pronome que a Ele se refere de forma direta
ou O ou Lo ou Lhe, se de forma reflexa/indireta, em português.
O
respeito ao se tratar de Deus também está na forma de se ver Deus.
Matemáticos
querem explicações exatas para sua concepção. Não é à toa que Isaac Newton
queria provar matematicamente a existência de Deus. Da mesma forma, já se
chegou a mostrar que o Antigo Testamento é todo escrito sob uma regra
matemática que pode até redundar em sua rima/entoação.
Outros
autores, por outras razões, fazem outras buscas e têm outros desideratos
semelhantes ou não. Sejam por funções missionárias e até para o
autoconvencimento. Parece-nos que é o caso de Como vejo Deus, de Marcelo
Renovato[1], que acabou construindo, em
quatro volumes, uma obra de profundo pensar filosófico embora alguns críticos
tenham a obra por desvaneio juvenil.
Desde
há muito, insiste-se nessa busca e nessas construções de formas de vê-Lo.
Atribui-se
a Lucrécio, o poeta e pensador clássico da Antiguidade, a frase:
Primus
in orbe deos fecit, ardua coelo fulmina cum caderent[2]
Seria
então Deus fruto do medo. Os homens com medo criam deuses. É assim que Ambrogio
Donini[3] inicia seus trabalhos
sobre a história das religiões.
O
fato, entretanto, é que sobre Deus cabe muita discussão, mas o mais fácil é
concluir que é a fé inexplicável do ser humano que O justifica e O faz presente
no Universo e na Humanidade com respeito e com medo.
Sérgio Pereira Antunes
São
Paulo, 16 de março de 2021.
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