100 Primaveras da Sociedade Teosófica no Brasil




100 Primaveras da Sociedade Teosófica no Brasil é o título de exposição temporária que ocorreu no Museu da República, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, em 2019. A exposição ocupou duas salas que, à época em que ali residiam os presidentes do Brasil, constituía a área privativa do Palácio. A exposição era bastante simples, mas inusitada pelo tema tratado e abordagem feita. Na primeira sala, um labirinto desenhado sobre o piso, no chão, convidava o público a descalçar e caminhar por ele. Dali poderia se apreciar melhor o conteúdo exposto, além da performance lúdica de caminhar no labirinto. Em destaque, duas personalidades ligadas a Teosofia: Madame Blavatsky e Fernando Pessoa. É importante lembrar que a obra de H.P. Blavatsky, A voz do Silêncio, contou com versão para o português pelas mãos de Fernando Pessoa. A abordagem pelo labirinto, implica em lembrar que no mundo, em especial literário, o labirinto sempre atiçou interesse. Basta lembrar que esse espaço de cruzamento de caminhos tinha uma conotação diferente no decorrer da história humana.
Na Antiguidade, o Labirinto Celeste ligava a alma à Terra, no Egito, e, também, o Labirinto, em Creta, que aprisionava o Minotauro. Na Idade Média, os labirintos medievais mostravam o caminho para Deus. Na Modernidade, os labirintos são lúdicos e paisagísticos como nos jardins. E, por fim, o instigante Labirinto Intelectual da Teosofia na concepção de Pessoa.
A respeito do Labirinto Intelectual, a exposição esclareceu: “O poeta português Fernando Pessoa ao se referir a Teosofia em uma carta à Sá Carneiro a descreve como um “Labirinto Intelectual”. O primeiro contato do autor foi através de traduções para o português que fazia das obras teosóficas, o caráter extraordinariamente vasto da religião-filosofia; a noção de força de domínio, de conhecimento superior e extra-humano causou no poeta uma forte impressão conforme relata a sua carta”.

Tu de quem o Sol é sombra
Fernando Pessoa

Tu, de quem o Sol é sombra,
De quem cadáver o mundo
Meus passos guia, a que ensombra
O sentir-se, ermo e profundo!

A presença anônima e ausente
De quem a alma é o véu
A meus passos de inconsciente
Dá o consciente que é teu!

Para que, passadas eras
De tempo ou alma ou razão,
Meus sonhos sejam esferas
Meu pensamento visão.

A curadora da exposição, Ana Cristina Moura, em sua introdução explica, sob o título Sociedade Teosófica no Brasil – 100 primaveras: “Especialmente neste ano de 2019, o encontro da primavera da Sociedade Teosófica será realizado no Museu da República na cidade do Rio de Janeiro, estado onde foi fundada e ano em que comemora os seus 100 anos de atividade. Em 17 de novembro de 1919 era fundada na cidade do Rio de Janeiro a Sessão Nacional da Sociedade Teosófica. 100 Primaveras faz alusão simultaneamente aos 100 anos, portanto 100 primaveras, e também a uma efeméride teosófica de grande participação dos teósofos cariocas e público simpatizante, os encontros regionais da primavera no estado do Rio de Janeiro.
A primavera simbolicamente é um tempo de renovação, isto é, nesse contexto, renovar o desejo em seguir na senda do aperfeiçoamento humano, que inclui a fraternidade com uma necessidade a serviço do bem pelo amor ao bem. Dessa forma, todos são convidados a renovar suas energias naquilo que mais os move, que está na raiz mesmo do seu ser. Regar a semente da bondade significa esperar por melhores dias, dias de abundância e confraternização, repletos de alegria e boas vibrações”

Teosofia no Brasil
Dário Vellozo no Paraná iniciou a publicação de artigos sob o título “Teosofia: ocultismo”. Raquel Prado publicou “Educação à luz da Teosofia: Biografia de Annie Besant”; e o “Livro de Saudade: homenagem póstuma a Viscondessa de Sande”. Henrique Serra, em São Paulo, traduziu e publicou o livro “Aos que Sofrem”, sob o título de “Princípios Teosóficos”, de Almeida Bleck.
Os encontros para estudos de teosofia aconteciam nas casas dos teósofos, em lojas maçônicas, em grupos espiritas e em salões reservados para a exposição de oradores de vulto internacional. Mário Roso de Luna, ilustre teósofo realiza no mês de março de 1910, quatro conferências no Salão da Associação do Comércio na capital do estado do Rio de Janeiro. Essas conferências foram decisivas para a formação da Loja que viria a ser o principal instrumento para a fundação da Sessão Nacional.
A Loja Perseverança no Rio de Janeiro recebeu sua carta constitutiva assinada por Annie Besant, presidente da Sociedade Teosófica Internacional em 30 de maio de 1910. Com dois nomes que valem por um atestado de dedicação e confiança no futuro: os de Raimundo Pinto Seidl, o primeiro presidente da Loja Perseverança e futuro presidente da Sessão Nacional e Mauro Montagna, do Instituto Benjamin Constant.
Sociedade Teosófica Internacional
H.P.Blavatsky e H.S. Olcott
A Sociedade Teosófica foi fundada em Nova Iorque, Estados Unidos, em 17 de novembro de 1875 por Helena Petrovna Blavatsky, William Q. Judge e Cel. Henry Steel Olcott (seu primeiro presidente). Annie Besant foi a segunda presidente. Três anos após a sua fundação a Sede Mundial da Sociedade Teosófica foi transferida para a Índia onde permanece até hoje.





Objetivos
A Liberdade de Pensamento é outra prerrogativa assegurada pela Sociedade Teosófica aos filiados dentro dos limites da cortesia e consideração pelos demais membros.

Lema
A Sociedade Teosófica possui um lema em sânscrito: “Satyan nasti para Dharmah” traduzido para português em sentido amplo como “não há dever ou doutrina superior à Verdade”.

A visita à exposição resulta em aprendizagem e surpreende o público pelo tema, em especial, por apresentar um lado interessante de Fernando Pessoa, além de evidenciar que o empoderamento feminino é muito mais milenar do que prega o movimento feminista contemporâneo, ante tudo que se vislumbra com Blavatsky e Besant.

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