Negro da Guiné


Guiné é a região ocidental africana, subsaariana, que, em princípio, se estende do Cabo Verde (não o arquipélago, mas o cabo onde hoje está Dakar, no Senegal) a Ponta Negra (no Congo), compreendendo todo o Golfo da Guiné. É a região verde da África e hoje abrange uma série de países. O nome deve ser originário de Djinne ou Giné um império africano que dominava a região e que era composto de vários reinos.
Em Crônica da Descoberta e Conquista da Guiné, o português Gomes Eanes de Zurara, em 1453, explica: “essa gente desta terra verde é toda negra e, por isso, é chamada terra de negros ou terra da Guiné, por cujo azo os homens e mulheres dela são chamados de guinéus, que quer dizer o mesmo que negros”.
Com a implantação do sistema colonial na África, os europeus se assenhoraram da região e a distribuíram entre si, dividindo-a em diferentes Guinés. Para distingui-las, cada Guiné recebeu uma segunda designação tornando-se um nome composto. Os portugueses distinguiam a sua Guiné pelo nome da maior vila, ou seja, Bissau. Tornando-se assim, a Guiné-Bissau. Os franceses da mesma forma adicionaram o nome da capital colonial, surgindo assim a Guiné Conacri, ou simplesmente Guiné. E a Espanha diferenciou a sua Guiné pela localização geográfica, adotando assim o nome de Guiné Equatorial.
A ligação do nome Guiné com o povo negro ali habitante, na forma explanada por Gomes Eanes em sua Crônica, marca por séculos a expressão “negro da guiné” e até fez uma ilha distante, localizada do outro lado do mundo, por ter um povo negro, vir a ser conhecida como Papua Nova Guiné.

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