Economia de Sergipe nos primeiros anos do século XX


No Palácio-Museu Olímpio Campos, dois grandes painéis dominam o saguão de entrada. Provavelmente de autoria de Bruno Sercelli ou Oreste Gatti – artistas italianos encarregados da decoração do interior do palácio, na reforma dos anos 1920 – os painéis retratam a economia sergipana àquela época.

Num dos painéis, resta clara uma economia baseada no extrativismo. São personagens na labuta de diferentes atividades. Um sobe o coqueiro para derrubada dos cocos e da ramagem. Outro, no chão, arrasta essas compridas folhas do coqueiro. Outros quatro agachados descascam o coco maduro na ponta da enxada. Um deles mata a sede, sorvendo água da cabaça. Um outro ao canto, ajeita o balaio cheio de siris. Ao fundo, uns quatro trabalhadores lidam com as salinas e transportam descalços sacos de sal. Todos descamisados, à exceção de dois outros personagens que além da camisa ostentam chapéus. Um deles em posição de comando e vigilância, observando atentamente os trabalhos. É o único calçado. O outro de camisa entreaberta no ventre parece mostrar uma arma enfiada na cintura. Carrega algo do balaio preso ao cavalo. A figura deste último, embora de chapéu e de camisa, assim como provavelmente armado, ostenta, indubitavelmente, status subalterno ao homem que vigia.

O outro painel apresenta a atividade canavieira. Uma indústria na época. Todos trabalhadores vestem camisa e usam chapéus. Dois guiam o carro de bois. Dois outros montados a cavalo em atividade supervisora. Cinco lidam com o corte e limpeza da cana de açúcar. Ao fundo, os prédios de um grande engenho, cuja chaminé solta nuvens de fumaça de sua pujante atividade industrial.
Um século após esse retrato, observa-se que Sergipe parece ainda manter a atividade extrativa. Embora parte dela seja de subsistência e artesanal, a atividade econômica persiste empresarialmente. Os engenhos de cana de açúcar são hoje usinas de açúcar e álcool com a lavoura, em parte, mecanizada.
A esse retrato atualizado, a economia sergipana acresce duas atividades de importância: o turismo e a exploração de petróleo. Hoje, são os cavalinhos das petroleiras espalhados por vários campos do Sergipe que prospectam e extraem incansáveis a riqueza do subsolo. A indústria petrolífera e o turismo empregam importante fatia da mão de obra local. Já houve tempos em que a riqueza petrolífera sergipana era tamanha que permitia brincar com a possibilidade de compra do estado da Bahia.

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